Depois ela disse que sentiu
uma coisa ruim
ao chegar a Ouro Preto .
Eu senti uma coisa ruim
quando ela disse. Queria
então mulher e cidade .
Eu devia desconfiar,
a escura nuvem sobre a casa
a perturbava sobremaneira,
e o passeio estreito, e as ladeiras,
talvez a falta de girafas
no Padre Faria ou
a desistência das flores
com talidomida que nos olhavam
míopes do jardim
que ainda não havia...
Se perdeu de minhas mãos.
A cidade continua comigo:
mofando livros,
avacalhando meus amores,
restituindo-me a asma.

Suplemento Literário Minas Gerais - Nov/Dez 2010
Anônimo disse...
ResponderExcluirAprendeste
neste marasmo
de ouro preto
a amar a asma
e o soneto
que nunca fizestes
mas estas prestes
estas prestes
Geuder Martins de Carvalho disse...
Caro Adriano,
Nas suas palavras vejo paisagens nítidas
e um close no meio da vírgula que anúncia pausas de mistério, cotidiano de homens e mulheres que flutuam por sobre as pedras.
Seus personagens,escondidos atrás da melhor palavra, se embriagam de humanidade e poesia.
Se minha camera alcançar o apuro das suas letras, saltará da imagem um mundo de sentidos.
Jean Dyego - disse...
"Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste..."
Sei lá lembrei do Vinícius admirando belezas femininas e reclamando-as! Mas aqui, o Adriano reclamão quer cidade e mulher. Lindo: os ciúmes da cidade rechaçam a mulher. Sobram as velhacarias do casamento com esta cidade mofada e barroca!
parabólica disse...
talvez então ouro preto seja você próprio, a defendê-la como se a si.
abraço!
curioso!
ResponderExcluirum dia me disseram: "você está cheirando a ouro preto".
nunca tinha me ocorrido ficar impregnado de uma cidade... minas tem dessas coisas.
maravilha adriano!
o convite pra tertúlia continua de pé! rs
um abraço!
ft
Foto: Leo Lopes
ResponderExcluirgostei muito, se puder ler o meu blog qualquer hora..
ResponderExcluirhttp://qualpalaquervra.blogspot.com.br/